domingo, 23 de novembro de 2025

Centauro alado

Foi um centauro arqueiro que me atingiu. Ou um cupido.

A flecha veio devagar, porém decidida e certeira.

Do corte que ela abriu na minha carne, emergiu a lembrança daquela imagem.

Foi um centauro arqueiro que me atingiu, com os cascos firmes no chão e o arco e flecha voltados para o céu.

Foi também um cupido que me atingiu, voando acima das nuvens e com o arco e flecha apontados para a terra.

Pois era ali que eu estava:

Naquele espaço flutuante entre terra e céu ‒ o lugar que alcançamos
com um livro nas mãos.


***

A lembrança da performance “The Other: Rest Energy” da Marina Abramović me veio de imediato durante a leitura do poema “Sim/não” do Eucanaã Ferraz, no livro “Sob a luz feroz do teu rosto”. Foi como se ele tivesse sido escrito para descrever a performance.

Apenas no dia seguinte, olhei para a capa do livro – que até então eu achava bem feinha – e fiquei atônita.

Essa coincidência veio no ano em que se completam 10 anos desde que ouvi falar pela primeira vez da Marina Abramović, essa artista que tem vários parafusos a menos na cabeça. E publico esse texto com o sol entrando em sagitário, signo meu e da Marina. O símbolo de sagitário? O centauro arqueiro.

***








Para quem quiser ler mais textos meus sobre a Marina Abramović, já escrevi sobre ela aqui:

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