Foi um centauro arqueiro que me atingiu. Ou um cupido.
A flecha veio devagar, porém decidida e certeira.
Do corte que ela abriu na minha carne, emergiu a lembrança daquela
imagem.
Foi um centauro arqueiro que me atingiu, com os cascos firmes no chão e o arco e flecha voltados para o céu.
Foi também um cupido que me atingiu, voando acima das nuvens e com o arco e flecha apontados para a terra.
Pois era ali que eu estava:
Naquele espaço flutuante entre terra e céu ‒ o lugar que alcançamos
com um livro nas mãos.
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A lembrança
da performance “The Other: Rest Energy”
da Marina Abramović me veio de imediato durante a leitura do poema “Sim/não”
do Eucanaã Ferraz, no livro “Sob
a luz feroz do teu rosto”. Foi como se ele tivesse sido escrito para
descrever a performance.
Apenas no dia seguinte, olhei para a capa do livro – que até então eu achava bem feinha – e fiquei atônita.
Essa coincidência
veio no ano em que se completam 10 anos desde que ouvi falar pela primeira vez da
Marina Abramović, essa artista que tem vários parafusos a menos na cabeça.
E publico esse texto com o sol entrando em sagitário, signo meu e da Marina. O
símbolo de sagitário? O centauro arqueiro.
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