Isabela, a situação do jardim vai de mal a pior.
As roseiras estão só caule e espinho.
A azaleia perdeu todas as flores.
Os botões daquela florzinha pequenininha que esqueci o nome nascem e secam antes de desabrochar.
O lírio da paz tá murcho, folhas secas, um pedaço ou outro de cor. Virou um pedaço de guerra.
Sei que esse jardim é seu xodó. Por isso estou te avisando: se não quiser perdê-lo, fala praquele menino, seu ex-namorado, pra que venha visitar o jardim. Uma passada basta. Ele vem, olha, fica um pouquinho e vai embora.
As flores do jardim da sua casa vão morrer todas de saudade dele. Pra alguns males, não há pesticida.
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Como seria se as nossas histórias preferidas tivessem acontecimentos paralelos?
Escrevi esse texto imaginando um diálogo a partir de uma passagem da minha peça teatral preferida, "Música para cortar os pulsos".
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