Se a única certeza que temos na vida é a de que vamos morrer, o que exatamente isso significa?
Quando se morre, o corpo some da presença das pessoas, da casa, dos lugares. Nessa perspectiva, o corpo desaparece. Porém, a lembrança para aqueles que ficam, a voz, o cheiro, fazem com que a pessoa não desapareça. Ela continua existindo, de outros jeitos. Também a matéria do corpo não desaparece, ela se transforma. A forma do corpo desaparece, mas a matéria que o constitui, não.
E os sentimentos? Quando começam a existir, quando se transformam, quando desaparecem (eles desaparecem?).
Li esse livro pensando em Lavoisier, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Marisa Monte… E a minha cabeça virou uma confusão de todos os significados possíveis para “desaparecer”, “deixar de existir”, “morrer”…
Talvez “desaparecer” seja uma palavra genérica que guarda um mistério e muitas camadas de sentidos.
Talvez tudo seja uma mistura de todas essas palavras e termos… Uma coisa deixa de existir de um modo, se transforma e passa a existir de outro.
Mas talvez eu esteja viajando muito e amanhã nada disso faça sentido pra mim. Aí eu apago esse texto e ele deixa de existir
(ou não).
*
Me acompanharam na leitura:
Poema de Natal (Vinicius de Moraes)
[...]
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
[...]
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
*
Pelo tempo que durar (Marisa Monte)
Nada vai permanecer
No estado em que está
[...]
Geleiras vão derreter
Estrelas vão se apagar
[...]
Coisas vão se transformar
Para desaparecer
E eu pensando em ficar
A vida a te transcorrer
[...]
Feito pra acabar (Marcelo Jeneci)
[...]
A gente é feito pra acabar
Ah Aah
A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim
Uh Uhhh
*
Imergir (Silva)
[...]
Você tem seus motivos
E os cacos no jardim
Não vou tentar juntá-los
Melhor deixar o mar varrer
Navios dizem recomeço
Do mar ninguém chegou ao fim
Eu vou deixar seu nome imergir
[...]
Cartas, imergi-las
Fotos, imergi-las
Datas, imergi-las
Discos, imergi-los
Livros, imergi-los
Beijos, imergi-los
Rastros, imergi-los
Pro seu fim
[...]
*
Ao longo do livro, há várias referências a frutas e ao ovo (da galinha mesmo haha), cuja inspiração acredito que veio do famoso texto "O ovo e a galinha" da Clarice Lispector. Ele pode ser lido nesse link.
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